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Quiropraxia ou osteopatia: qual escolher pra dor na coluna?

Pra dor na coluna, as duas usam manipulação e mobilização da coluna, e é essa parte que tem pesquisa: melhora modesta de dor e função, parecida com a de outros tratamentos recomendados. O que a osteopatia acrescenta, as técnicas cranianas e viscerais, não tem diagnóstico confiável nem evidência sólida de resultado. Pra lombar e pescoço, a quiropraxia feita por fisioterapeuta, junto com exercício, cobre o que a ciência sustenta. Sinal de alerta, como perda de força ou febre, vai primeiro ao médico.

Lado a lado

Quiropraxia ou osteopatia: qual escolher pra dor na coluna?: comparação lado a lado
CritérioQuiropraxiaOsteopatia
OrigemQuiropraxia: Atribuída a D. D. Palmer, nos Estados Unidos, em 1895.Osteopatia: Criada pelo médico Andrew Taylor Still, nos Estados Unidos, em meados do século 19. Primeira escola em 1892.
Foco declaradoQuiropraxia: Coluna e articulações, com ênfase no ajuste articular e na relação entre coluna e sistema nervoso.Osteopatia: O corpo como unidade: articulações, músculos e fáscia, e também crânio e órgãos.
Técnica principalQuiropraxia: Ajuste: impulso rápido e curto numa articulação específica (thrust), além de mobilizações e técnicas de baixa força.Osteopatia: Grande variedade: thrust, energia muscular, técnicas indiretas, fasciais, cranianas, viscerais e de bombeamento linfático.
Dor lombarQuiropraxia: Manipulação com melhora modesta de dor e função, parecida com a de outros tratamentos recomendados.Osteopatia: Meta-análises a favor na dor lombar inespecífica, mas as revisões foram classificadas como de qualidade baixa ou criticamente baixa.
Técnicas cranianas e visceraisQuiropraxia: Não fazem parte da quiropraxia.Osteopatia: Diagnóstico sem confiabilidade entre avaliadores e evidência sólida de eficácia praticamente inexistente.
Ideia antiga sem comprovaçãoQuiropraxia: A "subluxação" como causa de problemas de saúde gerais não cumpre os critérios básicos de causa.Osteopatia: O diagnóstico craniano e visceral feito com as mãos não se repete entre avaliadores.
RiscosQuiropraxia: Reações leves e passageiras são comuns. Complicações graves são raras.Osteopatia: Na manipulação, os mesmos riscos. Nas demais técnicas, poucos eventos adversos relatados nas revisões.
Situação no BrasilQuiropraxia: Especialidade do fisioterapeuta reconhecida pelo COFFITO (Resoluções 220/2001 e 399/2011).Osteopatia: Especialidade do fisioterapeuta reconhecida pelo COFFITO (Resoluções 220/2001 e 398/2011).
Na Fisio GentilQuiropraxia: Feita por fisioterapeutas com CREFITO-11, em consulta de 20 minutos ou dentro do Método Gentil, de 60 minutos.Osteopatia: Não oferecida.

Qual a diferença entre quiropraxia e osteopatia?

As duas nasceram nos Estados Unidos no fim do século 19 e usam as mãos pra avaliar e tratar. A quiropraxia é atribuída a D. D. Palmer, em 1895. Segundo a própria Organização Mundial da Saúde, Palmer montou o método a partir de várias fontes, inclusive a osteopatia, que o médico Andrew Taylor Still tinha criado décadas antes.

A quiropraxia se concentra na coluna e nas articulações, e a técnica mais conhecida é o ajuste: um impulso rápido e de pouca amplitude numa articulação específica. A osteopatia se apresenta como uma abordagem do corpo inteiro. Além de manipular a coluna, inclui técnicas no crânio, nos órgãos do abdome e no sistema linfático.

Na prática, a parte que trata coluna e músculos se sobrepõe muito entre as duas. O que separa uma da outra é principalmente o que a osteopatia faz além disso.

Quiropraxia ou osteopatia: qual funciona melhor pra dor nas costas?

Não há sinal de que uma seja melhor que a outra na dor lombar. Uma meta-análise de 2017 no JAMA sobre manipulação na dor lombar aguda encontrou melhora modesta de dor e função, e a variação entre os estudos não foi explicada pelo tipo de profissional que aplicava a técnica. Uma revisão de 2019 no BMJ, com 47 ensaios, concluiu que na dor lombar crônica a manipulação tem efeito parecido com o de outros tratamentos recomendados.

Do lado da osteopatia, uma meta-análise de 2014 encontrou efeito a favor em dor e função na dor lombar inespecífica. Uma revisão de revisões de 2022, porém, classificou a qualidade dos trabalhos sobre tratamento osteopático como baixa ou criticamente baixa.

A diretriz do Colégio Americano de Médicos põe a manipulação entre as opções não medicamentosas pra dor lombar, com evidência de qualidade baixa, e coloca o exercício entre as primeiras escolhas na dor crônica. A série da revista The Lancet sobre dor lombar, de 2018, resume o que as diretrizes pedem: começar sem remédio, com orientação, retorno às atividades e exercício. Nas diretrizes, a técnica manual aparece como uma opção, e o exercício como base.

Osteopatia craniana e visceral funcionam?

É aqui que a osteopatia se afasta da evidência. Uma revisão sistemática de 2016 concluiu que os procedimentos de diagnóstico da osteopatia craniana não são confiáveis: avaliadores diferentes, ou o mesmo avaliador em dias diferentes, não chegam ao mesmo resultado. Sobre eficácia, a evidência metodologicamente forte é quase inexistente.

A revisão sobre osteopatia visceral, de 2018, chegou ao mesmo ponto: as técnicas de diagnóstico não são confiáveis, e o estudo com menos viés não mostrou diferença no resultado principal. Os autores concluíram que falta evidência sólida tanto de confiabilidade quanto de eficácia.

Tempo e dinheiro gastos com essas técnicas não têm respaldo de pesquisa. Veja mais em Osteopatia funciona?

A quiropraxia também tem teorias sem comprovação?

Tem. A quiropraxia tradicional gira em torno da "subluxação", uma disfunção da vértebra que afetaria a saúde de forma geral. O documento da OMS sobre quiropraxia registra que essa definição é diferente da definição médica de subluxação. Uma análise de 2009 aplicou os critérios clássicos de causa da epidemiologia a essa ideia e concluiu que quase nenhum deles é cumprido.

O que tem pesquisa é a manipulação como tratamento de dor lombar e cervical, com efeito modesto. Promessa de tratar doença dos órgãos, imunidade ou problema fora do sistema musculoesquelético pelo ajuste da coluna não tem base, venha de quiropraxista ou de osteopata.

Qual é mais segura, quiropraxia ou osteopatia?

Quando as duas manipulam a coluna, os riscos são os mesmos. Uma revisão sistemática de 2010 sobre terapia manual feita por profissionais regulamentados estimou que cerca de metade das pessoas pode ter reações leves ou moderadas depois do atendimento, como dor ou rigidez passageira, e que eventos graves são raros.

A OMS lista situações em que a manipulação não deve ser feita, como fratura recente, infecção ou tumor na coluna, instabilidade entre vértebras, síndrome da cauda equina e hérnia de disco com perda neurológica que avança. Por isso a avaliação antes do ajuste é obrigatória, com qualquer das duas.

  • Perda de força, dormência que avança ou perda de controle da urina ou das fezes: médico primeiro.
  • Febre, emagrecimento sem motivo ou dor noturna que não cede: médico primeiro.
  • Dor depois de queda ou acidente: médico primeiro.
  • Dor de cabeça forte e diferente do habitual, de um lado só, com dor na nuca: médico primeiro.

Quando cada um costuma fazer mais sentido

Quiropraxia
Faz sentido pra dor lombar e cervical mecânica, rigidez e travamento, depois que a avaliação descarta sinal de alerta e contraindicação. O efeito esperado é modesto, e as diretrizes põem o exercício e o retorno às atividades como base do tratamento. Feita por fisioterapeuta, o mesmo profissional pode juntar as duas coisas no plano.
Osteopatia
A parte estrutural da osteopatia usa manipulação e mobilização parecidas com as da quiropraxia, sem sinal de resultado melhor. Quando a proposta é tratar crânio, órgãos, cólica de bebê ou problemas fora do sistema musculoesquelético, não há evidência confiável de que funcione, e o diagnóstico feito com as mãos nessas técnicas não se repete entre avaliadores.

Perguntas frequentes

Osteopata e quiropraxista são fisioterapeutas?

Podem ser. O COFFITO reconhece quiropraxia e osteopatia como especialidades do fisioterapeuta desde a Resolução 220/2001, com curso de pelo menos 1.500 horas e duração mínima de dois anos. Só depois de registrar o título no COFFITO o fisioterapeuta pode se anunciar especialista. Há também quem atue sem ser fisioterapeuta, e aí a situação legal é outra.

Quiropraxia ou osteopatia pra hérnia de disco?

Depende do quadro. Pela orientação da OMS, hérnia com perda neurológica que avança é contraindicação absoluta à manipulação, e doença de disco dolorosa ou grave pede técnicas sem força e sem impulso rápido. Quem define isso é a avaliação. Perda de força ou alteração da urina e das fezes são caso de médico antes de qualquer terapia manual.

Osteopatia serve pra cólica de bebê?

Não há evidência confiável. A revisão Cochrane sobre terapias manipulativas na cólica infantil encontrou estudos pequenos e sujeitos a viés. Quando só entraram estudos em que os pais não sabiam se o bebê tinha sido tratado, a diferença no tempo de choro deixou de ser significativa. Os dados também são poucos pra concluir sobre segurança. Cólica é assunto do pediatra.

Osteopatia também estala a coluna?

Pode estalar. O thrust, a técnica de impulso rápido que costuma produzir o estalo, está na lista de técnicas da osteopatia no documento da OMS. As duas também têm técnicas suaves, sem impulso, usadas quando o impulso rápido não é indicado.

Quiropraxia ou osteopatia pra dor de cabeça?

Pra osteopatia, a revisão de revisões de 2022 considerou a evidência em dor de cabeça primária questionável. Em qualquer das duas, a avaliação precisa separar a dor de cabeça que vem do pescoço de outras causas. Dor de cabeça súbita, forte, de um lado só, com dor na nuca ou alteração de visão pode ser sinal de lesão de artéria do pescoço e é caso de pronto-socorro, sem manipulação.

O que é melhor pra coluna travada: quiropraxia ou osteopatia?

Na dor lombar aguda, a diretriz do Colégio Americano de Médicos lembra que a maioria das pessoas melhora com o tempo, qualquer que seja o tratamento, e lista calor local, massagem, acupuntura ou manipulação como opções. Não há evidência de que osteopatia seja melhor que quiropraxia nesse caso. O importante é voltar a se mexer assim que der.

Quem tem osteoporose pode fazer quiropraxia ou osteopatia?

Com cuidado. A OMS trata a perda de massa óssea como contraindicação relativa à manipulação, pelo risco de fratura, e cita como mais vulneráveis quem usa corticoide há muito tempo e mulheres depois da menopausa. Nesses casos o profissional troca o impulso rápido por técnicas de baixa força ou de tecidos moles na região afetada.

De onde vem cada afirmação

  1. World Health Organization (2005). WHO guidelines on basic training and safety in chiropractic. Organização Mundial da Saúde, Genebra. Origem da quiropraxia (Palmer, 1895, a partir de fontes que incluíam a osteopatia), definição da profissão, diferença entre a subluxação quiroprática e a médica, e lista de contraindicações à manipulação.
  2. World Health Organization (2010). Benchmarks for training in traditional / complementary and alternative medicine: benchmarks for training in osteopathy. Organização Mundial da Saúde, Genebra. Origem da osteopatia (Still, meados do século 19, primeira escola em 1892) e lista de técnicas, que inclui thrust, técnicas cranianas, viscerais e linfáticas.
  3. Paige, N. M., Miake-Lye, I. M., Booth, M. S. et al. (2017). Association of Spinal Manipulative Therapy With Clinical Benefit and Harm for Acute Low Back Pain: Systematic Review and Meta-analysis. JAMA, 317(14), 1451. Manipulação na dor lombar aguda: melhora modesta de dor e função, variação entre estudos não explicada pelo tipo de profissional, reações leves e passageiras frequentes.
  4. Rubinstein, S. M., de Zoete, A., van Middelkoop, M. et al. (2019). Benefits and harms of spinal manipulative therapy for the treatment of chronic low back pain: systematic review and meta-analysis of randomised controlled trials. BMJ, 364, l689. Com 47 ensaios, a manipulação na dor lombar crônica tem efeito parecido com o de outros tratamentos recomendados.
  5. Franke, H., Franke, J.-D. & Fryer, G. (2014). Osteopathic manipulative treatment for nonspecific low back pain: a systematic review and meta-analysis. BMC Musculoskeletal Disorders, 15, 286. Meta-análise que encontrou efeito a favor do tratamento osteopático em dor e função na dor lombar inespecífica.
  6. Bagagiolo, D., Rosa, D. & Borrelli, F. (2022). Efficacy and safety of osteopathic manipulative treatment: an overview of systematic reviews. BMJ Open, 12(4), e053468. Revisão de revisões: resultados a favor em dor musculoesquelética, evidência questionável em dor de cabeça primária, crianças e intestino irritável, e revisões de qualidade baixa ou criticamente baixa.
  7. Guillaud, A., Darbois, N., Monvoisin, R. & Pinsault, N. (2016). Reliability of Diagnosis and Clinical Efficacy of Cranial Osteopathy: A Systematic Review. PLOS ONE, 11(12), e0167823. Diagnóstico da osteopatia craniana não confiável e evidência metodologicamente forte de eficácia quase inexistente.
  8. Guillaud, A., Darbois, N., Monvoisin, R. & Pinsault, N. (2018). Reliability of diagnosis and clinical efficacy of visceral osteopathy: a systematic review. BMC Complementary and Alternative Medicine, 18, 65. Diagnóstico da osteopatia visceral não confiável; o estudo com menos viés não mostrou diferença no resultado principal.
  9. Mirtz, T. A., Morgan, L., Wyatt, L. H. & Greene, L. (2009). An epidemiological examination of the subluxation construct using Hill's criteria of causation. Chiropractic & Osteopathy, 17, 13. A ideia de subluxação quiroprática não cumpre, em sua maior parte, os critérios epidemiológicos de causa.
  10. Carnes, D., Mars, T. S., Mullinger, B., Froud, R. & Underwood, M. (2010). Adverse events and manual therapy: A systematic review. Manual Therapy, 15(4), 355-363. Cerca de metade das pessoas pode ter reação leve ou moderada depois de terapia manual; eventos graves são raros.
  11. Qaseem, A., Wilt, T. J., McLean, R. M. & Forciea, M. A. (American College of Physicians) (2017). Noninvasive Treatments for Acute, Subacute, and Chronic Low Back Pain: A Clinical Practice Guideline From the American College of Physicians. Annals of Internal Medicine, 166(7), 514-530. Diretriz que lista a manipulação entre as opções não medicamentosas, com evidência baixa, e o exercício entre as primeiras escolhas na dor lombar crônica; lembra que a dor aguda melhora com o tempo na maioria.
  12. Foster, N. E., Anema, J. R., Cherkin, D., Chou, R. et al. (2018). Prevention and treatment of low back pain: evidence, challenges, and promising directions. The Lancet, 391(10137), 2368-2383. Resumo das diretrizes: tratamento inicial sem remédio, com orientação, retorno às atividades e exercício.
  13. Dobson, D., Lucassen, P. L. B. J., Miller, J. J., Vlieger, A. M., Prescott, P. & Lewith, G. (2012). Manipulative therapies for infantile colic. Cochrane Database of Systematic Reviews. Estudos pequenos e sujeitos a viés; com pais sem saber do tratamento, a diferença no choro não foi significativa; dados insuficientes sobre segurança.
  14. Biller, J., Sacco, R. L., Albuquerque, F. C. et al. (American Heart Association) (2014). Cervical Arterial Dissections and Association With Cervical Manipulative Therapy. Stroke, 45(10), 3155-3174. Sintomas da lesão de artéria do pescoço (dor de cabeça de um lado, dor na nuca, alterações de visão), que pedem avaliação médica.
  15. Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (COFFITO) (2001). Resolução COFFITO nº 220, de 23 de maio de 2001: reconhecimento da Quiropraxia e da Osteopatia como especialidades do fisioterapeuta. COFFITO. Quiropraxia e osteopatia como especialidades do fisioterapeuta, curso mínimo de 1.500 horas em dois anos e registro do título antes de se anunciar especialista.
  16. Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (COFFITO) (2011). Resolução COFFITO nº 399, de 3 de agosto de 2011: disciplina a Especialidade Profissional de Fisioterapia em Quiropraxia. COFFITO. Disciplina a quiropraxia como especialidade do fisioterapeuta.
  17. Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (COFFITO) (2011). Resolução COFFITO nº 398, de 3 de agosto de 2011: disciplina a Especialidade Profissional Osteopatia. COFFITO. Disciplina a osteopatia como especialidade do fisioterapeuta.

Conteúdo informativo. Não substitui a avaliação de um profissional.

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